SUJEITO, CUIDE DO QUE É NOSSO

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Nas comunidades arcaicas, as relações desencadeavam-se de modo praticamente único. A experiência cotidiana era interpretada pela superstição, costumes e, com maior ênfase, pela religião. O xamã não só era um porta-voz dos deuses, bem como suas ações definiam a própria tradição.

Já na sociedade contemporânea, aumentaram os campos de interação entre as pessoas e as relações manifestam-se de múltiplas formas. O homem potencializou seu poder de transformação tecnológica do mundo. Contudo, as “anomalias” diagnosticadas por Durkheim ainda no século XIX, proporcionalmente, também evoluíram: violência, solidão, neurose, alienação.

O universo urbano, certamente, é portador e berço do progresso capitalista, porém, devemos considerar que a altos custos. A reinterpretação e rearticulação dos sujeitos históricos nesse espaço difuso são imperativos para a construção de uma visão de mundo mais inteligível. Não se trata da idealização de soluções mirabolantes ou imediatas. Apenas uma constatação sociológica, em boa medida, pragmática.

Conforme defende o sociólogo francês Alain Touraine, a transformação efetiva da sociedade contemporânea passa pelo renascimento do sujeito como ator social autônomo. É um caminho fundamental para recompor a vida social e cultural fragmentada pela racionalidade instrumental, típica da sociedade moderno-urbana. Esse resgate precisa ainda ser capaz de conferir valor à presença do outro e da comunidade como esfera das interações sociais, pois o sujeito se firma como ator social a partir do momento em que reconhece o outro como ser ativo.

Nessa perspectiva, as ações de âmbito coletivo tenderiam a se fortalecer e a construir um sentimento de cidadania bem diferente do modelo individualista preponderante na atualidade. Vale ressaltar as grandes contribuições dos movimentos sociais para o Brasil, sobretudo a partir dos anos 1970/80. Mobilizações que deram origem a outras formas de organizações populares a partir da década de 1990, como os fóruns de discussão, a Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria e, mais recentemente, os conselhos municipais.

Obviamente, é ingênuo acreditar que haverá uma sociedade futura perfeita. A humanidade sempre viverá em meio a conflitos sociais e orientações culturais diversas. Porém, é exatamente através da recusa, da resistência, que os atores sociais afirmam-se como sujeito.

Estamos próximos de mais uma eleição. A descrença, de certo modo generalizada, nos homens públicos não pode continuar alimentando o absenteísmo político, que favorece ainda mais a corrupção e o caos administrativo em que se encontram muitos municípios. A formatação de um projeto de sociedade mais harmônico e humano – erigido com políticas públicas e projetos sociais eficazes – passa pela participação consciente, coletiva e, portanto, cidadã de cada um de nós, sujeitos e atores das transformações aspiradas para o nosso planeta, que começa na cidade em que vivemos.

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