(Re) construindo o jornalismo para a era digital

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As aceleradas transformações da contemporaneidade não poderiam passar longe do jornalismo. E como em todo cenário de mudanças, geram especulações e insegurança. Milhares de empregos de jornalistas foram eliminados na última década nos Estados Unidos, onde a circulação dos jornais vem apresentando quedas consecutivas. Entre 2005 e 2009, caiu 13,3%, conforme relatório divulgado pela revista The Economist.

No Brasil, ocorre o oposto. A circulação no país cresceu 20,7% no mesmo período. Sucesso atribuído principalmente ao crescimento dos jornais populares, que chegam a um público que antes não existia. Mesmo assim, com média de quase 45 milhões de exemplares impressos diariamente, a relação nos EUA é de 0,15 jornal por habitante, enquanto a daqui é pouco maior do que 0,04 jornal por habitante – média diária de 9 milhões de exemplares.

A despeito das peculiaridades de cada país, bem ou mal, nunca se leu tanto, lá e cá. As formas de leitura é que mudaram. Não por acaso, praticamente todos os jornais da atualidade mantêm páginas na Internet. Muitos, aliás, juntaram suas redações em operações híbridas: papel + digital. Isso porque a revolução de agora é digital. Revolução sim, feita de múltiplas evoluções.

A Internet, mais do que uma nova mídia, tornou-se responsável por uma gradual alteração de paradigma. Separações entre os aparatos de recepção e de transmissão estão ruindo. Os veículos de comunicação perderam o controle soberano das informações, pois o que não é falado por um canal será falado por outro. Daí o fortalecimento exponencial das redes sociais.

Com os indivíduos conectados em redes, o jornalismo não é mais monopólio dos jornalistas, nem da imprensa, nem dos patrões. Ampliaram-se os gatekeepers. Audiências passivas viram comunidades.

As corporações até tentam conter esse processo, mas percebem, a cada dia, que a mídia de massa compete e, ao mesmo tempo, complementa-se simbioticamente com uma grande massa de eu-mídias. Nunca se valorizou tanto a opinião do leitor/ouvinte/espectador, bem como sua participação na produção de conteúdo.

Nesse novo contexto, o jornalismo passa de fato de produto a serviço, ou no mínimo um produto aberto, multimídia, entregue quando e como o receptor quiser e não em períodos pré-estabelecidos. A narrativa linear e estática dá lugar a outra – não-linear – que está sempre por ser criada, essencialmente dinâmica. Mais dependente do público, o jornalista se vê obrigado a sair do pedestal, convertendo o discurso em conversa.

Com efeito, o momento exige uma revisão dos modelos tradicionais de interlocução midiática. O jornalismo que herdamos é da era industrial e tornar-se-á obsoleto se não for repaginado para a era digital. Não se trata de destruir, mas desconstruir para reconstruir. Afinal, estamos no ramo da criação.

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