QUEM NÃO INTERPRETA SE ESTRUMBICA

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Com o advento da internet, a produção de conteúdo ganhou novos formatos. Na web, ficou mais fácil dar voz a todos porque o espaço é, teoricamente, infinito. Desta forma, as notícias, até bem pouco tempo restritas aos conglomerados midiáticos, passaram a ser divulgadas em tempo real, em todos os lugares do mundo, simultaneamente.

Só no Google, trafegam, em média, 20 Petabytes a cada 24 horas. Cada Peta representa 1 bilhão de Megabytes. Nunca, na história da comunicação, houvera um fluxo tão intenso e imediato de dados. O Twitter, por exemplo, com a agilidade dos seus 140 caracteres mudou a relação dos jornalistas com um antigo conceito nas redações. Onde está o ineditismo de um fato tornado público em um perfil do microblog? O furo é de quem ‘tuitou’ primeiro. No âmbito jornalístico, a briga, então, passa a ser ‘retuitar’ na frente. Contudo, o risco de dar uma “barrigada” (informação incorreta) também está a apenas um clique.

Em setembro do ano passado, mensagens veiculadas no Twitter causaram pânico, culminando com um toque de recolher em escolas da rede pública de João Pessoa (PB). As primeiras notícias de uma possível ação de bandidos nos colégios começaram a ser divulgadas pelos próprios alunos. O boato logo chegou aos portais de notícias e emissoras de rádio e TV e só se desfez com a intervenção da Secretaria de Segurança Pública da Paraíba. Nenhum vestígio de ação criminosa foi identificado pela polícia.

Há muita informação disponível na web, mas tornou-se um delicado desafio discernir o que é relevante, se os dados que estão sendo divulgados são verdadeiros, de onde as informações vêm e se a fonte que está sendo consultada tem credibilidade. São raros os blogueiros, por exemplo, que apuram notícias, como Ricardo Noblat – o primeiro a criar um blog informativo com atualização diária no Brasil, em 2004. Ao contrário, a maioria posta opiniões e comentários. Muitos deles a serviço de políticos e candidatos.

Na verdade, existem hoje no Brasil três tipos básicos de blog: de propaganda, engajados e aqueles em que se tenta fazer o que se aprendeu nas redações. E por este último estar em minoria absoluta é que esse campo está cercado de muita hostilidade, com excesso de conteúdo duvidoso, podendo até causar danos à imagem e à integridade de pessoas e instituições. Paradoxalmente, na era em que todos podem e têm meios pra falar, mais imprescindível é o esforço de ouvir e interpretar.

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