POLÍTICA MANHUAÇUENSE EM TEMPOS DE PRÉ-CAMPANHA

0
10

Cici, Gulliver, Imaculada, Maurício, Nailton, Renato, Toninho. Nomes de um cenário ainda indefinido para as eleições. Certo mesmo, até o momento, é um anseio comum entre eles: todos querem consolidar-se como personas da política local. Pouco se fala em ideologias, clivagens socioeconômicas ou plataformas partidárias. Destaque mesmo para os atributos pessoais – muita ou pouca honestidade, experiência, competência administrativa, sinceridade, articulação política.

Entendeu, agora, o porquê do crescente investimento na construção da imagem do candidato nas disputas eleitorais da atualidade? É uma tendência, aqui e mundo afora. Desde a década de 80 e mais fortemente a partir dos anos 90 – seja nas democracias das sociedades industriais avançadas, seja nas denominadas novas democracias, como a brasileira – observa-se um fenômeno dialético. De um lado, enfraqueceram-se os partidos políticos e organizações sociais, surgindo novas formas de mediação. Por outro ângulo, percebe-se a crescente personalização da política, que centraliza a confiança dos cidadãos em figuras.

São os líderes personalistas que agregam identidades coletivas. Os programas partidários perderam importância e os compromissos são vagos, uma vez que o foco concentra-se na dimensão pessoal do poder. Sintoma disso é que as últimas eleições em Manhuaçu tiveram caráter plebiscitário, com a população escolhendo basicamente entre dois modelos. Será que este ano vai ser diferente?

Considerando as pré-candidaturas apresentadas até então, é difícil acreditar que haja mais do que duas vias com fôlego político, econômico e comunicacional. Vai depender muito dos investimentos que serão feitos na campanha, bastante dependentes dos “caciques” regionais que ocupam cadeiras na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Pela primeira vez, há a possibilidade de desenvolver uma disputa decente na televisão, com qualidade de áudio e imagem. No entanto, o desafio parece ser bem maior em outro campo: o conteúdo. Como e quem vai produzi-lo? É razoável repetir o padrão adotado nos anos anteriores? Ou não seria hora de apostar em recursos humanos e técnicos mais qualificados?

A mídia, hoje, é o principal fórum das discussões públicas e possui uma “gramática” própria, à qual os políticos precisam estar bem adaptados, sobretudo num panorama em que pesa o personalismo. Nesse sentido, um marketing eleitoral bem orientado pode sim fazer a diferença.

O novo tipo de elite política contemporânea é menos dependente da carreira construída nas fileiras partidárias do que da habilidade e talento em se comunicar com a opinião popular pela mídia. Existem cartas marcadas que se perpetuam há anos na vida pública manhuaçuense fazendo isso, mesmo que, muitas vezes, a realidade mostre uma grande disparidade entre as ações e a “imagem” apresentada no campo midiático. É mais um paradoxo da representação política atual. No ímpeto desarticulado de moldar-se às exigências dos meios de comunicação e do eleitorado – falar o que ele quer ouvir – quem muito se abaixa acaba mostrando as calças

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here