Globo X Record e a construção social da realidade

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Numa sociedade ambientada pela concorrência acirrada nos mais diversos campos sociais, é oportuno perceber que a disputa pelo poder impulsiona de modo especial os meios de comunicação e revelam aspectos até bem pouco tempo restritos às discussões acadêmicas e aos bastidores da imprensa. Nesse sentido, os recentes embates entre a Rede Globo e a Rede Record são emblemáticos para demonstrar que o jornalismo não reproduz fielmente a realidade, ao contrário do que sugerem as propagandas institucionais da maioria dos veículos de comunicação e defendem muitos jornalistas, mesmo que implicitamente.

Que fique claro: ler a notícia como uma construção social não é considerá-la uma inverdade, mas tão somente reconhecer que é influenciada por fatores pessoais, sociais, culturais, ideológicos, históricos e tecnológicos. E isso fica perceptível toda vez que a querela Globo X Record sai debaixo do tapete, ganhando visibilidade na telinha e nos jornais. Ambas manejam a informação de acordo com a perspectiva particular de cada emissora, defendem seus interesses, rompendo com a concepção tradicional de que o jornalismo atua, em primeiro lugar, em defesa do interesse público.

As redes de televisão são estruturas empresariais e, como tal, atendem a demandas mercadológicas, e dizer que isso não tem qualquer influência no conteúdo jornalístico é desconsiderar que são faces da mesma moeda – estão separadas, têm certa independência, mas um lado depende do outro pra existir. É por este prisma que deve ser vista a relação entre a imprensa e o poder. A todo tempo, o que está em jogo não é simplesmente a audiência. Trata-se também de manter a hegemonia em diversos campos, seja o político, o econômico ou o informativo/comunicacional.
A ‘guerra fria’ entre Globo e Record pela posse do discurso dominante está, portanto, muito mais ligada a questões na esfera do poder – ou dos poderes – do que a uma busca por transparência e democratização da informação, conforme propagado por ambas. Tampouco tem motivação religiosa, o que apenas serve para desviar o foco da questão central e engajar “soldados” em prol de uma pseudoguerra santa.

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