Ética jornalística nas eleições

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A ideia da objetividade jornalística ficou expressa em obras clássicas, como “Opinião Pública” (Editora Vozes), plublicado originalmente em 1922 pelo influente jornalista norte-americano Walter Lippmann. A falsa noção de que as notícias seriam um retrato fiel da realidade foi a mais difundida nas redações e nas pesquisas em jornalismo até a década de 1970. Tal perspectiva desconsiderava, no entanto, que a narrativa jornalística é produzida num sistema próprio, influenciado por fatores pessoais, sociais, culturais, ideológicos, históricos e tecnológicos.
Como disse José Arbex Jr. em seu “Showrnalismo” (Casa Amarela), “testemunhar um evento é também construí-lo segundo o “aparelho psíquico” e a formação social e cultural da testemunha.” O jornalista, portanto, não é uma testemunha ‘em branco’ e ainda atua sob a influência das rotinas profissionais peculiares à atividade. Entretanto, dispõe de técnicas e preceitos deontológicos para garantir a veracidade e a precisão das informações, independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas.
O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, em vigor há 25 anos e atualizado num congresso realizado em Vitória, em 2007, define que “a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público” (Art. 2º, inciso II). Por isso, é inaceitável que em um período eleitoral, como o que presenciamos atualmente, denúncias sejam omitidas, aumentadas ou diminuídas em seu teor, sob qualquer pretexto. Tal postura infringe também outra parte do Código que delineia que “a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade” (Art. 2º, inciso V).
Obviamente, o ‘denuncismo’ gratuito e intencional, com o objetivo de favorecer um concorrente em detrimento de outro é tão reprovável quanto o posicionamento omisso. Imprensa não é palanque. Se não tem provas na mão, que procure outras pautas. Mas, se tem, que exerça o dever de “combater e denunciar todas as formas de corrupção” (Art. 6º, inciso VII).
Com efeito, não se deve esperar de um jornalista objetividade plena, mas que adote uma conduta profissional assentada nos pilares da veracidade, da precisão e da imparcialidade. Nesse sentido, é incompatível com o exercício ético do jornalismo um profissional conciliar assessorias em campanhas eleitorais com a cobertura das eleições numa redação, pois não pode, ou pelo menos não deveria, “realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas” (Art. 7º, inciso VI). Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

1 COMENTÁRIO

  1. Gostaria de saber onde encontra ética jornalística, quando é publicado, em véspera de eleição, resultados de “pesquisas” totalmente inverídicos, na tentativa de influenciar eleitores indecisos, como ocorreu na cidade de Manhuaçu. Existe parcialidade gerada por questões financeiras, o que leva à incredibilidade jornalística. É lamentável este tipo de atitude, pois o jornal que imprime as notícias é co-responsável pelas informações que divulga, não podendo simplesmente imputar no fornecedor da notícia a responsabilidade sobre a matéria. 

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