Criacionismo e Evolucionismo: um diálogo possível

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Desde que os físicos “substituíram” a criação do Gênesis pelo Big Bang e os biólogos “trocaram” Adão por um ancestral comum ao homem e ao macaco, iniciou-se uma batalha para definir quem era a dona do elo perdido – Ciência ou Religião. Na Bíblia, o início da vida é explicado tendo em vista um Deus Criador que a partir da Sua palavra cria todas as coisas. No entendimento mais ortodoxo, isso teria ocorrido há menos de 10 mil anos, e não há 4,5 bilhões, como é estimado pelos cientistas.

No século XVIII, o biólogo francês Chevalier Lamarck já apresentava a idéia da evolução e do parentesco entre todos os seres vivos, propondo que a vida teria evoluído de estruturas simples para mais complexas. Charles Darwin aprimoraria tal idéia, afirmando que essa evolução estaria vinculada à seleção natural, em que seres mais adaptados ao meio e com maiores condições de sobrevivência prevaleceriam, enquanto os demais seriam naturalmente extintos.

Se as obras revolucionárias de Darwin, Lamarck e tantos outros tivessem sido concebidas nos dias atuais, talvez recebessem menção honrosa do papa. Nos últimos anos de pontificado, João Paulo II chegou a admitir que as teorias da evolução poderiam ser vistas como uma forma de Deus criar. Contudo, naquela época, foram vistas como ideias hereges, combatidas fortemente pela Igreja.

Nos Estados Unidos, o evolucionismo chegou a ser retirado do currículo escolar no início do século XX. E até hoje, presbiterianos, batistas e metodistas lideram um movimento antievolucionista em mais de 20 estados, com o intuito de vetar o que classificam como pensamento ateísta e materialista.

Fato é que nem Darwin nem Lamarck estavam preocupados em sobrepor a religião ou negá-la. Os religiosos é que reagiram e ainda reagem para defender suas crenças e muitas igrejas por medo de perder o monopólio da verdade. É radical pressupor que a ciência invalida a fé, até mesmo do ponto de vista científico.

Quando o primeiro astronauta chegou ao espaço, ele disse:

– Fui ao céu e não vi Deus.

Um grande equívoco. Apesar da sua extensão e eficácia, a ciência também possui limites. Em algum momento, aquilo que o conhecimento científico não tem como suprir pode ser cabível a outros conhecimentos e dimensões da vida humana, como a poesia, as artes, a filosofia, a teologia, o senso comum, que também é um saber muito respeitável.

Portanto, se eu sou um homem de fé, a narrativa bíblica é suficiente para afirmar a criação divina. Mas, se eu quero saber o processo físico-químico, não vou procurar na Bíblia. Vou procurar na Ciência, que tem competência pra falar do processo. À Bíblia compete dizer que Deus estava lá.

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