CINCO MORTES E UMA LIÇÃO

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O Brasil partilhou, pelo noticiário, da angústia de cinco famílias. E aqui na Bahia, acompanhamos de perto as buscas por Izadora Ribeiro, Rosaflor Oliveira, Amanda Oliveira, Marllonn Amaral e André Galão. Da mesma forma que ocorreu com as forças de segurança, foram equipes da TV Santa Cruz, afiliada Globo no sul do estado, e da Rede Gazeta, no ES, empenhadas na cobertura.

Eram 19h15 da noite de terça-feira (24/4), quando entrava no ar nosso jornal local (BATV), equivalente ao MGTV em Minas. Preparado para entrar ao vivo em rede estadual, informando que os cinco jovens continuavam desaparecidos, recebo o comunicado da produção de que um carro, parecido com o que os universitários viajavam, tinha sido encontrado dentro do Rio Mucuri.

Em virtude da sucessão de alarmes falsos até então, ponderei:

– Será que é prudente já divulgar?

Contudo, a réplica foi imediata e contundente:

– É informação segura. A Caema (Companhia de Ações Especiais da Mata Atlântica, pertencente à PM baiana) já está seguindo para o local.

A participação ao vivo no jornal, no instante seguinte, está registrada na memória (disponível em vídeo na internet – http://t.co/P6K9gZh). Nem o mais alto grau de isenção jornalística está imune a algum envolvimento com a notícia, ainda mais quando vidas estão em questão. O desapontamento da equipe, ainda que se presumisse um desfecho como esse, foi inevitável.

Com efeito, nenhuma explicação técnica ou estatística vai reparar a interrupção tão precoce de cinco biografias. Todavia, tragédias assim deixam uma lição que precisa ser levada mais a sério no Brasil.

Não é novidade que somos campeões em acidentes de trânsito na América Latina. Sem contar os danos incalculáveis causados por milhares de mortes, estima-se que o prejuízo anual para o país seja de R$28 bilhões, considerando despesas médicas e com seguro, perdas de produção, previdência social, danos materiais, entre outros custos. E as principais vítimas situam-se, exatamente, na faixa etária que concentra a maior parcela da população economicamente ativa.

Um levantamento recente do DPVAT, o seguro que indeniza vítimas de acidentes causados por veículos, indicou que metade das indenizações pagas no ano passado – ao todo R$ 2,2 bilhões – foi para pessoas entre 18 e 34 anos. Já o Mapa da Violência no Brasil de 2011 mostrou que a perda de jovens em decorrência de acidentes de transporte em dez anos – no período de 1998 a 2008 – aumentou 32,4%, superando o percentual do total da população, que foi de 26,5%. Nesse estudo, estão englobados acidentes de avião e de barco, além dos sinistros no trânsito.

O fato é que não existe causa única para tantas tragédias, tampouco vale a velha retórica de transferir a responsabilidade para os governos. As más condições das estradas, como é o caso do trecho da BR-101 no extremo sul baiano em que morreram os cinco jovens, fazem vítimas sim. Porém, não são as placas de sinalização encobertas, buracos, ou a falta de acostamento e defensa (conhecida como “guardrail”) os responsáveis por todo o mal nas estradas desse país.

O excesso de velocidade, o consumo de álcool e drogas, o sono, a distração com o celular e com o som do carro também são apontados como causas comuns de acidentes pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. Evidências de que muita gente até está habilitada a dirigir, mas não educada para o trânsito.

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