Câmara realiza audiência para evitar paralisação no HCL

0
151
O Provedor do HCL, Dr. Sebastião Onofre de Carvalho, foi o primeiro a se pronunciar, assistido por autoridades e equipe técnica do hospital
O Provedor do HCL, Dr. Sebastião Onofre de Carvalho, foi o primeiro a se pronunciar, assistido por autoridades e equipe técnica do hospital

Em atenção ao anúncio de possível paralisação do serviço médico nos setores de pediatria e de obstetrícia do Hospital César Leite, a Câmara Municipal de Manhuaçu realizou audiência na manhã desta terça-feira, 21, com a presença do Prefeito Adejair Barros, Secretário Municipal de Saúde, Dr. Luis Carlos Lemos Prata; Provedor em exercício, Dr. Sebastião Onofre de Carvalho; Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Nelson de Abreu, e os médicos Dr. Saulo Jorge Souza Parreira e Dr. Gláucio Quarto Martins, além da equipe técnica da instituição hospitalar. Convocada pelo Presidente da Casa Legislativa, Renato Cezar Von Randow, a reunião teve o propósito de buscar alternativas para evitar que estes serviços sejam interrompidos – o que poderá ocasionar consideráveis prejuízos à população.
O primeiro a se pronunciar foi o Presidente da Câmara, Renato Cezar Von Randow (Renato da Banca), enfatizando a importância desta audiência e a preocupação da Casa Legislativa com a iminente paralisação dos serviços médicos no Hospital César Leite. Preocupação esta que se tornou ainda mais acentuada a partir do comunicado feito por médicos presentes à sessão legislativa da última quinta-feira, dia 16. Diante do exposto, imediatamente, a presidência convocou esta audiência urgente, reunindo Prefeitura, Câmara, Secretaria Municipal de Saúde e médicos, visando um consenso.
Em seguida, o Provedor do Hospital César Leite, Dr. Sebastião Onofre de Carvalho, fez suas considerações sobre as reivindicações dos médicos e a importância do hospital para a população de Manhuaçu e região.
Convidado pela Mesa Diretora do Legislativo, o Secretário Municipal de Saúde, Dr. Luis Carlos Lemos Prata, também se pronunciou. Inicialmente, Dr. Luis mencionou a necessidade da negociação ampla, abrangendo todos os plantões médicos, não se restringindo somente aos setores de Obstetrícia e de Pediatria.
O Secretário de Saúde comentou a reivindicação dos médicos e o cenário constatado no HCL. “Temos um grupo que faz suas reivindicações e temos um hospital que não têm recursos. Às vezes, médicos daqui fazem comparações com a remuneração dos profissionais que atuam em cidades como Ipatinga e Sete Lagoas. São situações distintas. Estas cidades têm recursos maiores que Manhuaçu. […] Em relação aos partos realizados aqui, o índice de atendimentos é de 54% para pacientes de outras cidades e 46% para quem reside em Manhuaçu. […] Um atendimento em uma criança, como a colocação de um cateter que, em alguns casos, pode demorar cerca de uma hora, o SUS paga ao médico o valor de R$ 2,37. […] É preciso chegar a um bom senso exeqüível com os nossos profissionais. Do contrário, um médico não deixará seu consultório para atender ao sistema público”, ponderou o Secretário de Saúde.
Ao se pronunciar, o Presidente Renato Cezar Von Randow questionou sobre o que pode ser feito para se resolver esta situação. “Precisamos criar sistemas para chegarmos a um consenso junto às cidades vizinhas que utilizam nossa estrutura de Saúde. Manhuaçu não pode ficar com este ônus. O que Manhuaçu pode fazer para resolver esta situação? Qual a solução? É possível estabelecer um consórcio para contarmos com o auxílio de municípios vizinhos que enviam constantemente seus pacientes para nossa cidade?”, perguntou.
Sobre a questão de consórcios intermunicipais de Saúde, Dr. Luis Prata ressaltou algumas particularidades que merecem atenção e enfatizou a necessidade de haver uma reunião com o Secretário de Estado de Saúde, envolvendo inclusive a participação da Promotora de Justiça. Dr. Luis explanou sobre a possibilidade de se criar um consórcio entre grandes hospitais.
No momento em que os vereadores fizeram suas indagações, todos os representantes do Legislativo manifestaram sua preocupação com o assunto.
O Ex-provedor do HCL, Vereador Fernando Gonçalves Lacerda, considera esta proposta de reunião com o Secretário de Estado como uma medida que deverá demorar a se consolidar. “Manhuaçu é uma cidade pólo. Estamos discutindo Saúde, que é direito da população. Estamos na eminência de penalizar a nossa população, carente, porque faltam R$ 120 mil. Como vamos dormir à noite, sabendo que uma mãe está prestes a dar luz e pode não conseguir, em razão de não haver médico no hospital? […] É hora de nos unirmos, como filhos de Deus, para encontrarmos uma solução. Não podemos pagar para ver o que vai dar se os médicos paralisarem-se. Não é o momento de ressaltarmos ideologias, mas de colocar o coração nesta causa. Se cada um ceder um pouquinho, o Hospital ceder um pouquinho, a Secretaria ceder um pouquinho, conseguiremos resolver isto, ou minimizar este problema”, destacou Vereador Fernando.
O 2º Secretário da Mesa Diretora, Vereador Francisco de Assis Dutra – “Chico do Juquinha” – e a Vereadora Maria Imaculada Dutra Dornelas reforçaram o propósito de se buscar uma solução em conjunto para que a situação seja resolvida, evitando a paralisação dos serviços médicos. A Vereadora alertou ainda que “É preciso traçar uma meta para se saber o que vai ser feito daqui pra frente. Precisamos sair daqui com uma proposta de atuação”.
Ao se pronunciar, o médico Dr. Saulo Jorge Souza Parreira esclareceu que estas reivindicações feitas pelos médicos do HCL não são recentes, e, que providências não foram tomadas até o presente momento. “Não recebemos proposta por parte da Prefeitura, até o presente momento, para se solucionar o problema. Nós, médicos, temos carregado esta responsabilidade da Saúde até hoje, mas chega um ponto em que não dá mais. Parabenizo a vocês por esta proposta de se buscar uma solução”, mencionou Dr. Saulo Parreira.
O Presidente Renato Cezar Von Randow reafirmou que “Manhuaçu precisa alavancar esta situação. Não podemos ficar da forma como está, senão daqui a quatro ou cinco anos, o problema será muito pior”, avaliou.
Após todos os pronunciamentos, o Prefeito Adejair Barros fez uso da palavra, propondo uma alternativa para o impasse.

 

Acordo

O Prefeito propôs o complemento de metade da remuneração solicitada pelos médicos plantonistas (R$ 60 mil de R$ 120 mil), por um período de 30 dias, prazo este em que serão mobilizados os municípios vizinhos, com o auxílio da Promotoria de Justiça, para que cada um assuma seus compromissos com a Saúde, além de outras providências, visando uma solução permanente. O valor de R$ 60 mil será totalizado a partir de R$ 30 mil liberados pela Prefeitura de Manhuaçu e R$ 30 mil pagos pelo Hospital César Leite.
Ainda na reunião, o Presidente Renato Von Randow formou comissão para acompanhamento das negociações junto aos médicos, municípios vizinhos, Governo Estadual e demais setores.
(Thomaz Júnior)

[nggallery id=40]

COMPARTILHAR
Artigo anteriorMais duas armas de fogo são apreendidas em Durandé
Próximo artigoIII Semana do Serviço Social na Facig
Dr. Fábio Araújo de Sá – Médico formado pela UFJF – CREMEMG: 28610 Diretor da Clínica Médica São Lourenço Membro Efetivo da Academia Manhuaçuense de Letras – Cadeira º 35 Cargos já exercidos: - Diretor de Patrimônio da APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados). - Diretor Executivo da Tv Catuaí – Canal 11 – Manhuaçu – MG - Secretário de Sáude de Manhuaçu - Chefe do Pronto-Socorro de Manhuaçu

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here