Alianças (ir)racionais

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É uma disputa? Claro. Não há como ou por que negar. Tampouco que a principal meta de todo partido ou candidato é vencer a eleição. Porém, isso justifica o vale tudo no jogo político? Do ponto de vista moral, a resposta é obvia. Mas, desafiar a moralidade já não é nenhuma novidade em nossa vida pública, sobretudo quando chega o momento do embate eleitoral – vide as alianças de última hora feitas aqui e acolá, à moda Luluf.

Ainda há quem defenda esses contrassensos sob a insígnia do entendimento, do diálogo. Sinceramente, até rima com democracia, mas isso tem outro nome. E, no âmbito partidário, os que sustentam tais posicionamentos são multi não de plurais, mas de ‘multi-lados’. Todas as suas ações são maquiavélicas. Visam tão somente à maximização dos votos, tratando a política simplesmente como meio para alcançar esse fim.

A constatação acima é radicada numa das mais influentes e polêmicas abordagens da Ciência Política contemporânea, que veio a ser chamada de Teoria da Escolha Racional. Contrariando as visões mais idealistas, os estudos dessa vertente teórica enfatizam a busca do poder político, status ou prestígio social tanto quanto de ganhos econômicos.

Ao destacar a racionalidade, esta perspectiva indica que os indivíduos calculam o caminho mais razoável para tomar decisões visando atingir suas metas, que numa eleição, como dito anteriormente, é vencê-la. Evidentemente, espera-se que tal feito seja conciliável com a dimensão altruísta e solidária das pessoas, cujas fontes são valores éticos e morais. Todavia, a “descoberta” da escolha racional no palco da política incomoda justamente por revelar o lado utilitário dos seus atores, o indivíduo egoísta motivado pelo desejo pessoal por renda, prestígio e poderio que advém da ocupação do cargo público.

Usemos a racionalidade então para o bem do interesse público, no debate eleitoral e nas urnas. Político que acende uma vela pra Deus e outra para o Diabo, na verdade, é devoto de si mesmo. Quer ser eleito com o maior apoio e o menor esforço possível. Pra isso, subverte ideologias, valores partidários e até convicções e princípios pessoais em troca do voto. Está interessado em ganhar o poder e não em promover uma sociedade melhor.

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