A DINÂMICA DA RETÓRICA POLÍTICA

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Em breve, começa mais uma campanha para eleições municipais, e mais uma vez ouviremos frases do tipo: “realizando isso, o município seguirá avançando”; “quando eu promover aquilo, a cidade vai mudar”. Faz parte do jogo. Porém, no fundo, todos sabem – sobretudo os que proferem o discurso – que não há garantia inequívoca de que propostas lançadas serão, de fato, concretizadas.

A retórica política guarda verossimilhança com dados da realidade, mas é de natureza ficcional. No debate eleitoral, há um “mundo” atual possível, igual ou pouco diferente do real, e com base nele projeta-se um novo e bom futuro possível. No caso da situação, as estratégias de persuasão sustentam a ideia de um presente bem sucedido, que pode ficar ainda melhor, desde que se mantenha no poder. Já a oposição, pinta um quadro ruim, mas que, sob a sua batuta, pode ficar bom.

Destarte, trata-se de uma argumentação que busca convencer o eleitor a partir de interpretações feitas sobre a realidade. O desafio é convencer o público de que determinada lei ou política trará maiores benefícios do que qualquer outra. Nesse aspecto, independe da verdade lógica que possa ser evocada para sustentar as alternativas em disputa, pois a evidência empírica cede lugar à crença. No fim das contas, é uma aposta: ‘se acontecer (ou fizermos) X, o resultado vai ser desejável ou indesejável – inferência feita de acordo com a posição assumida no embate eleitoral.

Com frequência, justamente o indesejável recebe ênfase. Como as pessoas oscilam entre maximizar o ganho ou minimizar as perdas, muitas vezes, o eleitor é levado a fazer sua escolha sob a hipótese de algum risco. Em especial para cidadãos indiferentes ou indecisos, a tática mais racional e apropriada, então, é enfatizar os apelos negativos.

O destaque de infortúnios futuros encoraja os eleitores indiferentes a pensar sobre a escolha a ser feita, bem como se apropria para convencer aqueles que maximizam a utilidade do sufrágio – concepção sintetizada pela velha frase “eu não vou perder o meu voto”. Uma das estratégias recorrentes, portanto, é colocar o programa do opositor como um desastre.

Todas essas variáveis compõem uma eleição. Mas, evidentemente, não há uma fórmula discursiva mágica para conquistá-la. Por isso, candidatos desconhecidos do eleitorado surpreendem e até sagram-se vencedores, enquanto outros, conhecidos e bem avaliados, perdem. A retórica de sucesso tende a ser a que controla a agenda durante o processo eleitoral, que, em suma, se baseia numa “troca” de intenções elementar: eleitores anseiam que seus desejos, interesses e demandas sejam implementados; políticos querem ser eleitos.

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